Ministra comemora recorde de participantes indígenas e anuncia fundo para destinar verbas diretamente a comunidades tradicionais.
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que começou nesta segunda-feira (10), em Belém, já é a edição com a maior participação popular e a mais diversa de toda a história desses eventos internacionais.
A avaliação é da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, que participou de um evento para parceiros da organização não governamental Fase Solidariedade e Educação. “Com a participação de povos indígenas, afrodescendentes, comunidades tradicionais e agricultores familiares, a COP30 já é a COP mais diversa de toda a história das COPs”, comemorou a ministra. De acordo com ela, cerca de 3.000 indígenas estão participando da conferência, o que a torna a de maior participação indígena já registrada.
A participação indígena na COP30 está organizada em diferentes frentes. Conforme detalhado, aproximadamente 400 indígenas receberam treinamento para atuar em debates na chamada Zona Azul do evento – área de negociações oficiais da ONU, localizada no Parque da Cidade. Outros 1.000 devem participar de palestras e painéis na Zona Verde, espaço destinado à sociedade civil, e mais 1.500 estarão presentes na Cúpula dos Povos.
Sônia Guajajara expressou orgulho por ter contribuído para essa mobilização e convidou todos a visitarem o “Círculo dos Povos”, um espaço indígena montado na Zona Verde. “Em 29 COPs, nunca tivemos o tema das florestas e territórios tão em evidência como nesta COP30”, afirmou.
Um dos pontos centrais destacados pela ministra foi a discussão sobre o financiamento climático. Ela mencionou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), proposta liderada pelo Brasil, como um mecanismo com um diferencial crucial: a participação direta de indígenas e comunidades tradicionais. “De todos os recursos de financiamento climático, constatou-se que somente 1% chegam aos territórios. Isso deve mudar com a criação do TFFF, que prevê a aplicação de 20% de todos os recursos arrecadados diretamente para povos indígenas e comunidades locais”, explicou.
O evento da Fase também serviu como espaço para que representantes da sociedade civil avaliassem o momento. A diretora executiva da organização, Letícia Tura, abriu a noite afirmando que, apesar das contradições inerentes à COP, há um sentimento de visibilidade para as causas regionais. “Isso pro nortista é muito importante. Ser enxergado pelo próprio Brasil e pelo mundo”, disse. Durante o evento, Tura anunciou o lançamento de uma Carta de Compromisso da Fase, que defende que as soluções para a crise climática partem dos territórios. “E a gente fica torcendo pra que isso possa avançar, porque estamos já com 30 anos de COP e não estamos vendo saírem soluções reais e efetivas”, ponderou.
O documento está disponível no site e nas redes sociais da ONG. Evanildo Barbosa, outro diretor da Fase, vê no atual cenário evidências de um “novo momento do pensamento crítico no Brasil”, com debates interconectados entre movimentos indígenas, tradicionais, urbanos e feministas. “Tudo aponta para uma renovação do pensamento crítico. E isso é muito bom”, comemorou.
Já a coordenadora Executiva da Fase Amazônia, Sara Pereira, deu as boas-vindas aos parceiros e reforçou o compromisso da entidade com a construção coletiva, destacando sua participação na organização da Cúpula dos Povos, que reunirá mais de 1.000 organizações globais. Para Pereira, é fundamental que os líderes mundiais presentes na COP30 se permitam conhecer a realidade amazônica. “Perceber que comida tem valor cultural, entender que as águas não são só alegoria, mas são tudo para os povos Amazônidas, e que a floresta só está de pé porque ela foi manejada por alguém que vive ali”, concluiu.












